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Polinose - Alergia aos Pólenes


A primeira referência científica a “febre-dos-fenos” foi feita em 1873 por Sir Charles Blackley, que constatou a relação entre a polinização e o aparecimento de sintomas característicos.


DESIGNAÇÕES COMUNS
Polinose; Rinite alérgica sazonal; “Febre-dos-fenos” (embora não haja febre e o pólen envolvido possa não ser de feno!!!).

 

DEFINIÇÃO
Reacção “anormal” desencadeada pelo sistema imunitário de indivíduos geneticamente susceptíveis aos pólenes que entram em contacto com as mucosas respiratória e ocular. Ao contactar pela primeira vez com determinado pólen, o sistema imunitário considerado como “intruso”, provocando uma reacção alérgica nos contactos seguintes.
A alergia aos pólenes pode ocorrer isoladamente ou associada a outros alergenos como ácaros do pó da casa, fungos ou animais.
Geralmente surge entre os 8 e os 20 anos de idade (raramente após os 40 anos).

 

POLINOSE EM NÚMEROS
A prevalência de alergia aos pólenes é bastante variável de acordo com a região geográfica do globo. Estudos indicam que nas últimas duas décadas esta prevalência duplicou na maior
parte dos países europeus.

  • 40% dos indivíduos alérgicos tem alergia a pólenes;
  • Mundo: 0,8-14,9% e 1,4-39,7% (respectivamente 6-7 anos e 13-14 anos, ISAAC, 1998);
  •  Europa: 20,9% (22-44 anos, ECRHS, 1996); 4,9-16,5% (todas as idades, European Allergy White Paper – Allergic Diseases as a Public Health Problem in Europe, 1997);
  • Mediterrâneo: 10-15% (22-44 anos, ECRHS, 1996);
  • Portugal: 7,3% e 6,3% (respectivamente 6-7 anos e 13-14 anos, Livro Branco da Alergia na Europa, 1997);

PÓLEN


Os grãos de pólen são células responsáveis pela fecundação das plantas, “viajando” entre indivíduos da mesma espécie (polinização) por entomofilia (à custa de insectos) ou por anemofilia (através do vento), esta última responsável pelas reacções alérgicas.

 

Os grãos de pólen podem ser transportados por uma distância de 175km a uma velocidade de 10 m/s.

 

O tamanho dos grãos de pólen (que varia entre 0,0025 e 0,22mm; tamanho médio entre 0,02 e 0,06mm) determina a sua deposição no aparelho respiratório: grãos de dimensões superiores a 0,01mm ficam retidos no nariz e olhos e apenas os menores se depositam nos brônquios.

 

PÓLENES ALERGISANTES


Em todo o Mundo existem cerca de 250.000 espécies produtoras de pólen mas só cerca de 100 provocam alergias.
Na Europa existe variação do tipo de espécies alergisantes consoante a região:

 

Distribuição geográfica das plantas alergisantes na Europa

Árctico Bétula
Central Floresta decídua (folha caduca)
Bétula
Gramíneas
Leste Gramíneas
Artemisia
Ambrosia
Regiões montanhosas Gramíneas
Árvores
Mediterrâneo Gramíneas
Parietaria
Oliveira
Cipreste

 

 

CALENDÁRIO POLÍNICO

 

Corresponde à representação gráfica dos principais tipos polínicos de uma região, ordenados de acordo com o seu período de polinização.

 

 

J

F

M

A

M

J

J

A

S

O

N

D

Gramíneas                        
Oliveira                        
Cipreste                        
Parietária                        

 

Durante o período de polinização, a concentração de pólen varia:

 

>> Pólens/m3 de ar <<

Pólens/m3 de ar

Dias quentes e ventosos

Amanhecer e entardecer

Dias frios e com chuva

Restantes períodos do dia

 

Mesmo fora do período de polinização existem situações especiais que podem conduzir à libertação de pólenes, nomeadamente quando há uma elevada humidade relativa do ar ou chuvas fortes (ex.: tempestades) e devido a poluentes (particularmente partículas de diesel).
Em Portugal é possível consultar o site da Rede Portuguesa de Aerobiologia (www.rpaerobiologia.com) de forma a conhecer as previsões de pólenes em diferentes regiões do país.

 

SINTOMAS


Tipicamente os sintomas ocorrem anualmente e no mesmo período do ano, coincidindo com a época de polinização, e uma concentração de 10-20 pólenes/m3 de ar são suficientes para desencadear sintomas.

 

 Sintomas típicos

 Sintomas associados

 Naso-faríngeos – Rinite
- Rinorreia (corrimento nasal)
- Espirros
- Obstrução nasal
- Prurido


Oculares – Conjuntivite
- Prurido (comichão)
- Lacrimejo
- Edema

 Brônquicos – Asma
- Tosse
- Sibilância
- Falta de ar


Cutâneos (raros)
- Eczema atópico
- Urticária

 

 

REACTIVIDADE CRUZADA ENTRE PÓLENES E ALIMENTOS


Os alérgicos aos pólenes têm frequentemente alergias alimentares associadas – Síndrome de Alergia Oral. Este síndrome surge imediatamente/alguns minutos após o contacto com o alimento em questão, e manifesta-se com:

 

Tempo

Sintomas

% Casos

0-15 min. Irritação oral
Estridor laríngeo
Inchaço lábios/salivação
Aftas
100%
83%
21%
11%
15-60 min. Urticária
Conjuntivite/edema pálpebras
Asma
Anafilaxia (choque anafilático)
8%
9%
10%
3%
30-60 min. Dor abdominal
Náuseas e vómitos
Diarreia
Rinite
6%
10%
3%
3%

 

As síndromes mais comuns são:

  • Síndrome bétula – maçã;
  • Síndrome gramíneas – rosáceas (cereja, ameixa, pêssego, amêndoa, maçã, pêra, amora, morango); 
  • Síndrome plantago – cucurbitaceae (melão, melancia, abóbora, courgette, pepino).

 

Polinose

Potenciais reacções cruzadas

Bétula Frutos: rosáceas (maçã, pêra, pêssego, cereja, alperce); Kiwi, manga;
Frutos secos: noz, avelã, amêndoa, pistácio;
Legumes: aipo, alho, cenoura, batata, salsa.
Gramíneas
Frutos: rosáceas (pêssego, maçã, cereja, ameixa); melancia, kiwi, melão, laranja, banana, papaia;
Legumes: aipo, tomate, cenoura, batata, cebola, ervilha, amendoim;
Cereais: trigo.
Ambrósia Frutos: melão, maçã, banana, abacate, melancia;
Legumes: pepino.
Artemisia Frutos: maçã;
Frutos secos: castanha, avelã, noz, pistácio;
Legumes: aipo, cenoura, amendoim, batata,
tomate, lentilha, grão, fava, ervilha, girassol;
Especiarias.
Parietária Frutos: melão, cereja.

 

Em Portugal, assim como nos restantes países mediterrânicos, a Síndrome Oral com maior relevância é a síndrome gramíneas – rosáceas.

 

 

DIAGNÓSTICO


Na maior parte dos casos, os doentes apresentam sintomas coincidentes com a época de polinização. No entanto, existem situações em que esta coincidência não é clara (período de polinização variável ao longo do ano ou simultâneo a épocas frequentes de viroses).
Para a confirmação do diagnóstico realizam-se Testes Cutâneos em Prick ou análises sanguíneas (doseamento de IgE específicas).

 

 

 

 

TRATAMENTO

 

O tratamento da alergia aos pólenes passa por 3 estratégias:


1. Medicação para alívio dos sintomas (mais comum):

  • Anti-histamínicos; 
  • Corticóides (nasais); 
  • Descongestionantes (nasais).

 

2. Vacinas anti-alérgicas (Imunoterapia específica): 

  • Único tratamento que altera a evolução natural da doença; 
  • Consiste na administração de doses crescentes do alergenos a que o doente é sensível de modo a modificar a resposta do sistema imunitário e a diminuir a reacção alérgica – dessensibilização; 
  • Duração média de 3 anos, com benefícios durante mais 3 a 6 anos; 
  • Pode ser administrado por via oral ou injectável.

 

3. Evitar o contacto com os pólenes:


DEVE…

  • Informar-se acerca das contagens polínicas;
  • Manter-se em ambientes interiores durante os dias quentes e ventosos; 
  • Manter janelas e portas fechadas (utilizar sistemas de ar condicionado);
  • Aspirar a casa com frequência para retirar pólenes dos tapetes e mobiliário; 
  • Utilizar óculos escuros e boné; 
  • Tirar férias durante a época de polinização e para locais com baixa contagem polínica (ex.: montanha ou praia); 
  • Evitar exposição a outros irritantes (pó, tabaco, poluição, etc); 
  • Consultar o médico assistente antes da época polínica de forma a estabelecer um plano de medicação.


A evicção “completa” dos pólenes é impossível.

 

NÃO DEVE… (durante os dias de contagem polínica elevada)

  • Passear em zonas relvadas ou prados; 
  • Realizar desportos ao ar livre (o exercício físico provoca hiperventilação que, por sua vez, aumenta a quantidade de pólenes inalados); 
  • Realizar actividades ao ar livre (ex.: campismo, pesca); 
  • Dormir com as janelas abertas durante a noite, principalmente durante as primeiras horas da manhã); 
  • Viajar de carro com as janelas abertas (utilize o ar condicionado com filtro apropriado);

 

BIBLIOGRAFIA 
Carrapatoso I. Síndrome Pólenes-Frutos. Respir’AR 2006; 2: 17- 18. 

D’Amato G, Spieksma FThM, Liccardi G, Jäger S, Russo M, Kontou-Fili K, Nikkels H, Wüthrich B, Bonini S. Pollen-related allergy in Europe. Allergy 1998: 53: 567-579.

D’Amato G, Spieksma FThM, Liccardi G, Jäger S, Russo M, Kontou-Fili K, Cecchi L, Bonini S, Annesi-Maesano I, Behrendt H, Liccardi G, Popov T, Cauwenberge P. Allergenic pollen and pollen allergy in Europe. Allergy 2007: 62: 976-990. 

European Allergy White Paper – Allergic Diseases as a Public Health Problem in Europe. The UCB Institute of Allergy, 1997. 

Mata P. Polinose. Respir’AR 2006; 2: 19-22. 

Pinto JE, Almeida M. A criança asmática no mundo da alergia. Lisboa: Euromédice, 2003: pp. 314-317.

Rancé F, Navarro-Rouimi R, Dutau G. Les allergies polliniques. Expansion Formation et Editions, 2007. 

Santiago A, García A. Polinosis – Polen y alergia. Mra ediciones, 2002. 

Todo-Bom A. Pólen e Fungos In Atlas de Imunoalergologia. Lisboa: Euromédice, 2004: pp. 1-20.


Sites úteis:

www.rpaerobiologia.com 

www.theucbinstituteofallergy.ucb.be


Fonte: Respir'AR

Respir'AR
 
     
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